TEMORES DE UM CONCILIAR NA VIDA CONCILIAR

Olivar Alves Pereira

A IPB é conciliar, toma suas decisões por meio de seus concílios: Conselhos, Presbitérios, Sínodos e Supremo Concílio (prefiro o termo “Assembleia Geral”). E ser conciliar não quer dizer nesse caso apenas harmonizar opiniões contrárias, mas, sim, reunir as partes e pontos de um assunto buscando conformidade com as Escrituras Sagradas. Esse deve ser o objetivo da Igreja: tomar decisões inteiramente pautadas na Palavra de Deus. Assim, sendo, cada conciliar pode oferecer um dado, uma informação, uma orientação que possa ter escapado ao olhar do outro conciliar.

Tem sido assim desde o primeiro concílio da igreja, em Jerusalém, conforme Atos 15.

A vida conciliar, porém, não é tão fácil assim. Ela traz dificuldades, especialmente quando alguém quer fazer sua própria vontade prevalecer. É aí que nascem problemas doutrinários, ofensas, mágoas e cisões no Corpo de Cristo.

Como Presbítero Docente, participo de todos os concílios para os quais sou designado. Oro a Deus para me dar sabedoria, pois temo tomar decisões que, apenas motivadas pela amizade, favoreçam colegas, ou pior, na esperança de que um dia, estando em situação parecida, tenha colegas que me defendam. Também temo tomar decisões que prejudiquem os colegas, motivado por alguma diferença que possa ter com eles. Em todos esses casos, a Igreja de Cristo sempre será prejudicada – e Cristo não deixará por menos quando sua noiva for afrontada.

Temo, no afã de defender a sã doutrina, que aconteça comigo o mesmo ocorrido em Éfeso (Ap 2.1-7), a saber, que – apesar de operoso, perseverante, zeloso pela ortodoxia e ortopraxia, refutando e rebatendo falsos profetas com seus ensinos heréticos, suportando intensas provas por causa do nome de Cristo e não esmorecendo em tudo isso (v.2-3) – eu abandone o primeiro amor (v.4), tornando-me duro, frio e intratável, capaz de desistir de um irmão por causa de seus erros teológicos e não me esforce para ganhá-lo para a Verdade (cf. Mt 18.15). Mas também temo agir com amor próprio, não tendo coragem de corrigir meu irmão, de apontar-lhe o erro com amor bíblico, mas iludi-lo com bajulação e demonstrando assim nenhum amor pela sã doutrina. Temo, e por isso ajo como o apóstolo Paulo disse: “(…) esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co 9.27).

Oro a Deus para que eu me lembre sempre de que “Temos (…) esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2Co 4.7), pois, só assim me verei como servo que serve a Cristo enquanto serve à Igreja, e não como seu gerente, e muito menos dono. Oro para ser sempre achado como modelo e padrão para os fiéis “na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1Tm 4.12).

Temo na minha vida conciliar, temer aos homens e não a Deus. Temo que minhas ações revelem outros motivos e motivações que não sejam o glorificar e exaltar a Deus. Por isso, conto sempre com suas orações a meu favor e em favor de todos os concílios da nossa amada IPB.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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