Tentados à Hiperatividade

TENTADOS À HIPERATIVIDADE.

Rev. Alex Mello

No Shopping Center uma mãe tenta comprar uma peça de roupa. Seu filho de 4 anos que a acompanha, ou que ela acompanha, depende do referencial, corre de um lado para o outro. A vendedora conturbada não sabe se dirige sua atenção para a mãe ou para a criança que mexe em uma peça e de depois em outra, deixando pelo chão uma trilha de roupas.

Em meio ao caos, a mãe vez por outra emite um apelo suplicante, “por favor filhinho, a mamãe precisa comprar uma roupinha.” O filho com uma inflexibilidade que causa inveja a mãe, responde: “Não quero parar.” Com um sorriso amarelo a mãe olha para a vendedora desesperada e diz: “É que ele é hiperativo.”

A Bíblia expressa bem o episódio acima quando diz: A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a crianças entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. Pv 29.15.

Cada vez mais, pais de crianças incontroláveis descobrem que seus filhos têm o chamado Distúrbio de Déficit de Atenção e cada vez menos pais consideram o comportamento inapropriado de seus filhos como pecaminoso.

Vivemos uma verdadeira epidemia do Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA), com ou sem Hiperatividade. Um número incontável de crianças são controladas pela tríade de sintomas, desatenção, impulsividade e hiperatividade. O fato é que estes sintomas se manifestam em comportamentos que a Bíblia chama de pecaminoso, obras da carne. Contendas, murmurações, ciúmes, explosões de ira, rebeldia e desobediência aos pais, nada mais são do que uma resposta pecaminosa as paixões, impulsos que tentam estas crianças.

Especialistas[1] afirmam que a anatomia do cérebro destas crianças não tem nada de diferente, a única coisa que podem apontar é que existe um comportamento típico, fruto de um “comportamento” cerebral peculiar que os leva a características favoráveis e desfavoráveis dentro de um determinado contexto social.

Cada ser humano possui suas próprias fraquezas, mas a Bíblia diz que “não nos veio tentação que não fosse humana, mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar, pelo contrário juntamente com a tentação nos dará livramento, de modo que a possamos suportar.” 1Co 10.13

A visão da própria ciência é de que não existe um fatalismo genético por detrás dos sintomas do DDA. Crianças com predisposição genética criadas em um ambiente estruturado podem nunca apresentar os sintomas do distúrbio, ao passo que crianças sem a predisposição genética mas sob uma influência externa caótica podem desenvolver o distúrbio, gerando um caos em sua mente, fruto do caos que vivenciam.

Não me causa espanto esta afirmação, pois a necessidade de uma estrutura limitadora para o autocontrole é expressa na Palavra de Deus que afirma que “Como a cidade derrubada, sem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.” Pv 25.28.

Os limites estabelecidos pelos pais são uma proteção contra as tentações para desobedecer que as crianças naturalmente, em maior e menor grau, sofrem.


[1]     Silva, Ana Beatriz. Mentes Inquietas. São Paulo: Editora Gente, 2003. Pág. 20

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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