Todos os caminhos levam à Roma. Mas quem foi que disse que eu quero ir para lá?

Recentemente, tive a oportunidade de ler o livro de Scott Hann, um ex-pastor presbiteriano norte americano que converteu-se ao catolicismo e depois ingressou nas fileiras da Opus Dei (ordem católica que é extremamente fiel ao Papa). Depois de sua conversão ao catolicismo, Hann dedica-se a mostrar que a igreja romana é a única igreja de Cristo.

Em seu livro “Todos os caminhos levam à Roma” o que mais me deixou impressionado foi o fato dele se aferrar a todas as doutrinas católicas que estão em gritante disparate com o que a Bíblia ensina. Não precisaria nem dizer que o “tripé” do catolicismo (a Escritura, a Tradição e o Magistério) é defendido por ele.

Não quero aqui falar do livro de Hann, pois, ele não merece mais do que esses cometários. Quero aqui chamar a sua atenção para alguns (dos muitos) embustes da igreja católica.

O tripé

Tenho  ouvido e lido líderes e pensadores católicos se gabarem de que o “tripé” da teologia católica é mais confiável. Veja por exemplo, a charge abaixo:

Se pensarmos em coisas fabricadas por seres humanos, até que essa charge é verdadeira. Um tripé dá muito mais estabilidade do que que um pé só. Mas, é aí que a igreja romana se equivoca: três pés que não se entendem (e até mesmo se contradizem) se enroscam e tropeçam.

Não se trata de se ter “mais estabilidade” neste ou naquele sistema. Trata-se de se ter “a estabilidade”. E convenhamos, um magistério que ao olhar para o passado e ter de pedir perdão por atrocidades cometidas contra várias pessoas (cientistas e pensadores), isso não é uma imagem que inspire confiança por sua “infalibilidade”. Eu admiro a humildade de uma pessoa que reconhecendo o seu pecado pede perdão. Nisso admirei a atitude de João Paulo II que pediu perdão pelos abusos da igreja católica no passado, pela sua obtusidade em não permitir que a Ciência se expressasse, com certeza porque temia concorrentes. Se dizem por aí que a Ciência é inimiga da Fé (e vice-versa) a culpa é da igreja romana em sua estupidez e arrogância não admitiu que fora dos muros de Roma também existia vida pensante (se é que em Roma isso existia mesmo!).

O mesmo pode ser dito das tradições da igreja romana. Sabe-se que todas as tradições que ela trouxe para dentro do seu bojo não encontram respaldo na Bíblia. Onde existe sequer menção na Bíblia a um lugar chamado purgatório? Ou onde na Bíblia diz que Maria foi para o céu de corpo e alma? Ou mesmo que ela não foi uma pecadora, quando ela mesma louvor a Deus seu “Salvador” (admite que Deus é salvador, somente aqueles que admitem-se como pecadores, não é mesmo?). Onde temos na Bíblia a prática da extrema unção? Ou a intercessão de “santos” em nosso favor? Onde na Bíblia se afirma a existência de um “vigário” (substituto de Cristo aqui na terra, como a igreja católica vê na pessoa do papa?). Onde na Bíblia se ensina que relíquias que (supostamente) pertenceram a grandes servos de Deus no passado, devem ser recorridas como uma forma de “contato” com o Divino? A lista é muito maior, mas, somente essas (con)tradições já são o suficiente para que idiotices como a próxima charge seja respondida:

Vejamos se essa doutrina é antibíblica mesmo.

Salmo 119.96

“Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado”.

“Mandamento” aqui, é a Palavra de Deus. O Salmo 119 é uma exaltação à Palavra de Deus. Leia todo esse salmo (o maior de todos) e observe o que se diz em cada versículo que foi escrito com a intenção de se mostrar o quanto a Palavra de Deus é perfeita.

Ezequiel 37.1-14

Leia este capítulo do livro de Ezequiel. Ali Deus ordenou a Ezequiel que pregasse para um monte de esqueletos que estavam num vale. E a Bíblia diz que eles estavam “sequíssimos”, ressaltando assim o terrível estado de morte. Em contraste com aquele visão de morte, a Palavra de Deus foi proclamada. No momento em que Ezequiel começou a pregar a Palavra de Deus àqueles esqueletos os ossos começaram a se juntar, “cada osso ao seu osso”. Em seguida, cresceram tendões e carne sobre aqueles esqueletos. Mas, faltava-lhes o fôlego de vida. Foi aí que Deus mandou Ezequiel profetizar àqueles “zumbis” a vinda do espírito sobre eles. E a partir disso, aqueles “zumbis” passaram a ser gente viva de novo. Tudo isso somente pelo poder da Palavra de Deus. para uma exposição mais detalhada sobre este texto leia meu artigo “Como Deus vivifica os corações”, através do link: http://www.noutesia.com.br/como-deus-vivifica-os-coracoes/.

2Timóteo 3.16,17

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

Este texto é a âncora da doutrina evangélica relativa à Escritura Sagrada ser infalível. A Escritura ensina-nos o que é a vontade de Deus, repreende-nos quando não a fazemos, corrige-nos apontando o que deve ser feito, e educa-nos para que não mais nos desviemos da verdade, e tudo isso para que sejam completamente habilitados a fazer a obra que Deus quer que façamos, e que somente os crentes em Cristo Jesus podem fazê-las (cf. Efésios 2.10).

E o que disse o “primeiro papa” (ABSURDO!) sobre o assunto?

“sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

Logo, a igreja católica ao afirmar que “não existe nenhuma evidência sobre a infalibilidade da Palavra de Deus” se mostra:

– obtusa: pior cego não é o que não vê, mas, sim,o que vendo não quer enxergar.

– contraditória: se a Bíblia não é infalível e importante, porque então movimentos como a Renovação Carismática Católica estão voltando-se para a Bíblia? É só fachada?

– desobediente: se o “primeiro papa” (ABSURDO DE NOVO!) afirmou a infalibilidade da Escritura, porque eles a ridicularizam?

A falácia

“Papo de aranha para pegar mosquito”, é assim que se diz lá no interior de Minas quando alguém vem com uma conversa tentando enganar os outros.

Uma falácia da igreja romana na qual muitos têm caído é o ecumenismo. Aqueles que pensam que a igreja romana está a fim mesmo de retirar as barreiras e aceitar a todos como são, enganam-se completamente. Que a igreja romana é sincrética disso nunca tive dúvidas. Mas, não passa de “papo de aranha para pegar mosquito”. Uma vez caído nessa “teia” você ouvirá as mesmas baboseiras de sempre:  “Há somente uma igreja de Cristo na Terra e esta é a Igreja Católica Apostólica Romana!”.

É por isso que não sou ecumênico. Eu “sei em quem tenho crido”, e não me deixo levar por essas falácias que,com ares de piedade e amor, escondem intenções escusas e mentirosas.

Não tenho nada a aprender com quem prefere as invencionices humanas à Palavra de Deus. Não tenho nada a comungar com aqueles que insultam a Palavra de Deus reputando-a por falha e incapaz de transformar corações para se apoiar naquilo que homens não autorizados por Deus inventam para manipular e roubar o povo.

É verdade que todos os caminhos vão dar em Roma, pois, todos esses caminhos são coisas que o homem inventou. Mas, quem foi que disse que quero ir para Roma? Eu quero é ir para o céu, e para lá só existe um único Caminho: Jesus! “Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida;ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).

Fariam muito bem os católicos lerem um dos maiores pensadores que o Cristianismo nos apresentou: Agostinho de Hipona, ou como a igreja romana o chama, Santo Agostinho. Ele disse: “A fé cambaleará se a autoridade das Escrituras vacilar”.

E eu fico pensando o que leva alguém a negar a autoridade da Palavra de Deus e chego à seguinte conclusão: antinomismo. Quando eu não quero obedecer à Lei de Deus é mais fácil eu negar a autoridade dela. é bem semelhante à criancinha que com medo do escuro tapa os seus olhos para não ver a escuridão. Negar a autoridade da Bíblia é reafirmar minha rebelião contra Deus. Aí precisarei inventar tradições e magistérios para vestir uma roupagem religiosa e dar a entender que sou bom.

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos,25/06/2012

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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