UM BOM TESTEMUNHO

O que passo a relatar aqui aconteceu comigo e com meu amado pai em 1999.

Na época eu pastoreava a Igreja Presbiteriana na cidade de Santa Rita do Passa Quatro, interior de São Paulo.

Nesta cidade havia (e acho que ainda existe) um hospital psiquiátrico no qual um dos internos era um parente bem distante, cujo nome era Ezequias Corrêa.

Naquele ano Deus me deu um momento com meus pais que marcou muito a minha vida. Eles passaram cerca de um mês conosco. Foram momentos preciosos.

Num certo dia precisamos levar mamãe ao pronto socorro porque teve um pico no seu diabetes. Enquanto estávamos lá esperando o atendimento, chegou uma ambulância do hospital psiquiátrico, e, para nossa surpresa lá estava o Ezequias.

Papai cheio de esperança de ser reconhecido pelo seu parente que há muito não via, aproximou-se e lhe perguntou: “Ô Ezequias, você se lembra de mim?”. O Ezequias com um olhar distante e sem muita curiosidade disse: “Não!” e ante que papai dissesse mais alguma coisa ele acrescentou: “Me dá um cigarro?”. Papai, visivelmente desapontado voltou-se para mim e enquanto caminhava em minha direção ouviu o Ezequias dizer: “Você é o Zué (Josué, mas, era assim que papai era chamado lá em Conceição dos Ouros), filho do Zé Neco”. Papai então se voltou para o primo, o qual acrescentou o seguinte relato de suas lembranças que tinha do vovô Zé Neco. Ele disse: “Zé Neco, o homem que plantava batata doce para dar para os porcos, que plantava alho e cebola”, e dando uma pausa e batendo a mão sobre o coração disse: “Zé Neco, o homem que tinha o Evangelho de Deus em seu coração”. Naquele momento pus minha mão sobre o ombro d papai e juntos choramos emocionados em ouvir de um homem tido como um demente mental, cuja história de vida boa parte foi vivida dentro de um hospital psiquiátrico, que o vovô Zé Neco, emmeio a tantas atividades simplórias de um homem do campo, destacou-se e gravou-se naquela perturbada memória o mais, lindo e bom testemunho que um homem pode deixar de si: alguém que tem o Evangelho de Deus em seu coração.

Depois Papai me contou que o vovô Zé Neco sempre ajudou a família do pai do Ezequias por ser esta muito pobre.

Vovô Zé Neco tinha o Evangelho de Deus em seu coração e, por isso mesmo, tinha em suas mãos obras que acompanharam a sua memória à semelhança de Abel, que mesmo depois de morto suas obras ainda continuaram falando dele.

Bem, se você for a Conceição dos Ouros e encontrar alguém que se lembra do vovô Zé Neco ouvirá outros testemunhos tão belos quanto este de sua pessoa. Mas, nada se comparará ao que Ezequias dele falou, porque afinal de contas, o que conta mesmo é o nosso relacionamento com Deus. E o vovô Zé Neco de fato andou com Deus.

Enquanto termino esse relato, peço a Deus que eu um dia seja lembrado da mesma forma, não para a minha glória, mas, para a glória de Deus, pois, se existem homens como o vovô Zé Neco que têm o Evangelho de Deus em seus corações é porque um dia Deus quis Se revelar a nós e nos salvar por meio de Seu Filho, Jesus Cristo.

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.36).

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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2 Responses to UM BOM TESTEMUNHO

  1. Marcos Aquino says:

    Pastor Olivar, td bem? Deus tem varias maneiras de falar ao nosso coração, e este testemunho verdadeiramente falou ao meu. Que Deus me dê graça para eu possa viver desta maneira. Que Ele continue abençoando sua vida e de de sua familia. Um abraço! Irmão Marcos Aquino.

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