Uma palavra aos pastores sobre o Aconselhamento Bíblico

Permita-me falar um pouco sobre essa poderosa ferramenta que o Senhor Jesus deixou para nós pastores e para Sua Igreja, a saber, o Aconselhamento Bíblico. Graças a Deus, toda a minha formação cristã foi orientada por pastores que marcaram a minha vida pela seriedade com que levavam o ensino da Palavra de Deus. Seria injusto se viesse a deixar de mencionar um deles aqui, e por isso mesmo deixarei isso de lado. Mas, não posso me calar no tocante ao benefício que recebi de ter sido instruído por eles. Eles me ensinaram a amar a Bíblia.  

Eu subia ao púlpito, e em toda a minha pregação sempre fui diretivo, incisivo e claro com relação ao que Deus revelou em Sua Palavra. Denunciava o pecado, consolava os corações e orientava a todos. Porém, havia uma discrepância enorme entre o meu púlpito e o meu gabinete. Neste último não se via aquele mesmo pregador diretivo e incisivo. Pelo contrário, o que se via era um homem covarde que se escondia por trás daquela desculpa esfarrapada de que eu não deveria dizer o que a pessoa devia fazer pelo fato de que, se não desse certo, a pessoa não iria me culpar. Isso eu aprendi em alguns cursos sobre “aconselhamento pastoral” ou “aconselhamento cristão”, os quais sempre vinham carregados de ideias da Psicologia, especialmente essa de não dizer à pessoa o que ela deveria fazer, mas, sim, ajudá-la a perceber o que ela tinha de fazer.

Por volta de 2009 enquanto fazia o meu Mestrado em Ciências da Religião tive a oportunidade de conviver com colegas pastores das mais variadas posições sobre o assunto. Em 2010 tive contato com a ABCB através do Rev. Flávio Ezaledo, que, numa conversa eu lhe disse do meu interesse em cursar Psicologia. Ele me perguntou se era para ajudar no aconselhamento que eu queria fazer esse curso. Respondi que sim. “Mas, para quê você quer algo mais se você tem a Bíblia?”, ele me perguntou. Não soube o que responder. Fiquei atordoado com a pergunta e percebi uma discrepância, uma incoerência terrível na minha vida. Eu dizia e cria que a Bíblia é inerrante (tudo o que está nela é livre de erros, porque ela é a Palavra de Deus), mas, a pergunta do Rev. Flávio me fez ver que eu não tinha a Bíblia como “suficiente” para tratar do coração humano.

Ainda nessa conversa com o Rev. Flávio ele me convidou para fazer o curso de Autoconfrontação. Pensei que seria um curso que me transformaria num conselheiro (ainda que isso tenha acontecido), mas, esse curso moeu meu coração, me fez ver o quão estava longe do propósito de Deus para a minha vida (Rm 8.28-30), e o quão hipócrita eu era em tentar tirar os ciscos dos olhos dos outros enquanto trazia traves imensas no meu próprio (Mt 7.1,5). Deus me quebrantou, me humilhou, mas, me levantou e tem me fortalecido dia a dia.

Entrei “de cabeça” no Aconselhamento Bíblico. Cursos da ABCB, com o Rev. Flávio e livros que seguem nessa linha passaram a ser uma fonte preciosa para mim, mas, acima de tudo, a Bíblia é o meu “manual”. Hoje, aconselhando várias pessoas tive uma mudança profunda em meu ministério. Meu gabinete é o lugar onde as pessoas sabem que encontrarão respostas, diferentemente daquela atitude covarde que eu adotava de não dizer-lhes o que deveriam fazer com medo de ser rechaçado de alguma forma, hoje, ouço o que elas têm a dizer, choro muitas vezes com elas ao ver a dor de seus corações que sempre relutam em ver o seu pecado, mas, do meu gabinete elas não saem sem saber o que devem fazer. Quando as vejo colocando em prática a Palavra de Deus, seguindo as diretrizes que na Palavra encontramos, louvo a Deus, engrandeço o Nome Dele por ter aberto os meus olhos para ver as maravilhosas verdades da Sua Palavra. E quanto àqueles que relutam e saem endurecidos, embrutecidos e apáticos a tudo o que lhes digo da Palavra de Deus, meu coração fica triste, porém, tenho o consolo de saber que a Palavra de Deus não volta vazia. Pode ser que algum tempo depois ela germinará naqueles corações, ou pode ser que eles jamais serão alcançados por Ela. Se isso acontecer, sei que Deus cumpriu os seus propósitos e eu fiz a minha parte.

Querido colega pastor, ouse abrir a Bíblia para responder em seu gabinete àqueles corações feridos e desesperados que entram ali em busca de solução. Não tenha medo de ofendê-los se for preciso, afinal eles passaram a vida toda ofendendo a Deus com seus pecados, e, agora, a misericórdia de Deus os trouxe ali para serem confrontados, para perceberem que o pior problema da vida deles é o PECADO e que somente o sangue de Jesus pode solucionar tal situação. Muitos sairão de sua igreja, muitos dirão que você está exercendo ilegalmente a profissão de psicólogo (já me disseram isso, e eu perguntei: “Quando foi que você me viu usar uma só técnica da Psicologia aqui?”), mas, Deus trará a você as ovelhas Dele que estão feridas, sem pastor, necessitadas da Vida Eterna, e isso você não encontrará em nenhum manual de Psicologia. Você verá suas ovelhas crescendo na sabedoria da Palavra de Deus e passando para outras pessoas o que elas têm aprendido.

Quero ainda propor-lhe que faça um estudo honesto sobre a Psicologia, a Psicanálise e as terapias propostas pelo mundo para ajudar as pessoas a lidarem com seus problemas. Avalie as premissas de cada uma, estude sobre a vida dos seus proponentes e os contextos em que eles viveram e propuseram suas ideias, e, depois de tudo isso, compare com as Escrituras Sagradas. Você ficará abismado em ver que simplesmente não dá para comparar porque como diz o Salmo 119.96: “Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado”. Que manual de Psicologia pode afirmar isso acerca de si mesmo?

Rev. Olivar Alves Pereira

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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4 Responses to Uma palavra aos pastores sobre o Aconselhamento Bíblico

  1. Alex Mello says:

    Deus o abençoe Rev. Olivar, por suas posições bíblicas e seu coração conselheiro. Também registro como conheci o verdadeiro Aconselhamento Bíblico através do Pr. Flávio Ezaledo, que me treinou e continua me orientando nesta nobre tarefa de mostrar na Palavra de Deus o auxílio ao necessitado.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Estimado irmão, Rev. Alex. Dentre os homens que Deus tem usado para me aperfeiçoar nesta área, embora não tenha mencionado um por um, com certeza o seu faz parte desse seleto grupos de homens que Deus usou e usa em minha vida.
      Um forte abraço!

  2. Wesley Felipe dos Santos says:

    Muito bom ler essas palavras Rev. Olivar.
    Agradeço a Deus pela sua vida e pela vida do pr. Flávio. Infelizmente nos dias atuais muitos pastores tem trocado as Escrituras por métodos seculares de aconselhamento, afirmam a suficiência, inerrância e infalibilidade da palavra de Deus, porém se debruçam aos pés de Freud, Skinner, Carl Rogers e etc.
    Peço a Deus que continue a levantar homens de coragem, homens que professem e pratiquem que somente as Escrituras pode trazer paz e esperança ao coração aflito e rebelde.
    Abraços!

    • Olivar Alves Pereira says:

      Obrigado por suas considerações, amado. A Palavra de Deus é suficiente. Quem busca algo mais, nega essa verdade. Quem crê e vive essa verdade não sente falta de nada.

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