VOCÊ FARIA TUDO POR SEU FILHO?

Rev. Olivar Alves Pereira

Algo muito comum é encontrarmos pais que dizem: “Por meus filhos eu faço tudo; faço qualquer coisa?”. Não questiono aqui as intenções desses pais, e até mesmo creio que estejam bem intencionados. Mas, estaria correto fazer tudo por seus filhos? Se a questão aqui for fazer o que é da sua responsabilidade como pai, provendo ao seu filho tudo o que ele precisa para se tornar uma pessoa responsável e “de bem”, então você estará correto em proporcionar ao seu filho tudo o que for preciso. Contudo, se a questão aqui for fazer tudo o que seu filho quiser, tudo o que for preciso para evitar que ele sofra (não se esqueça: sem sofrimento não há crescimento!), então prepare-se para ser envergonhado, para sofrer muito ao ver seu filho se tornando um imprestável, um delinquente.

Voltemos ao aspecto positivo, a saber, dar aos filhos todos os recursos que eles precisam para se tornarem “alguém de bem”. Antes, é preciso definir o que significa ser “alguém de bem”. Creio que se fizermos uma enquete aqui sobre isso, surgirão várias respostas, e praticamente todas terão algo em comum: um cidadão trabalhador e responsável, alguém que atinge o sucesso por mérito próprio e que não prejudica ninguém. Algo com o que eu concordo, mas, não vejo como o principal aspecto a ser ressaltado aqui. Uma pessoa “de bem” é aquela que traz em sua vida os princípios da Palavra de Deus e os obedece. O Salmo 1 descreve o “bem-aventurado” (aquele que é feliz de verdade, aquele que alcança o verdadeiro sucesso) como alguém que não apenas “não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”, mas também como aquele que “antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (v.1-2).

 Se você é daqueles pais que:

  • Que não fazem todos os caprichos de seus filhos, dando-lhes tudo o que querem mesmo sem que eles tenham a noção se é possível e necessário ter essas coisas que eles querem;
  • Que não fazem o serviço deles em casa, mas o força a realizá-los – é em casa que a criança aprende a responsabilidade com o trabalho, e quando os pais poupam seus filhos de atividades domésticas como arrumar a casa, lavar a louça da cozinha, lavar e depois estender a roupa no varal, estão contribuindo para que eles sejam pessoas imprestáveis, vagais e de mau caráter;
  • Que exigem a obediência deles a você (afinal, Deus o colocou como autoridade sobre eles), e também o respeito ao falar com você (a atual geração de pais preocupa-se tanto em ser amiga de seus filhos que está esquecendo de ser pais deles, e amigos eles terão muitos, mas, pais, somente você e seu cônjuge)…

…creio que você está muito à frente de muitos outros pais, e bem melhor que eles. Mas, ainda lhe falta algo. Se você não aponta seu filho na direção certa, ele errará o alvo, mesmo se tornando um cidadão trabalhador, honesto e rico.Em Pv 22.6 lemos: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”.

Quem é a “criança” aqui? Na cultura judaica, criança não era só os menores de 13 anos como são classificadas hoje. Todo aquele que ainda estando na casa de seus pais, solteiro abaixo de 30 anos era considerado uma “criança” (ainda que o termo “jovem” seja admitido pelas Escrituras, o termo “adolescente” nunca aparece nelas). O profeta Jeremias exclamou quando Deus o comissionou ao ministério profético: “Ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança” (ele tinha algo em torno de 22 anos de idade nessa ocasião). Ao que o SENHOR Deus lhe respondeu: “Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quando eu te mandar falarás” (Jr 1.6-7). Isto posto, ressalto aqui que enquanto seus filhos estiverem sob seus cuidados, enquanto eles não constituírem a família deles, eles ainda devem ser instruídos, guiados e direcionados por vocês. Além disso as Escrituras ressaltam que o bom filho sempre ouvirá seus pais não importando a idade que tenham, veja Pv. 23.22. Infelizmente, a concepção freudiana sobre as faixas etárias são mais acatadas por muitos crentes do que as Escrituras – estes preferem andar “no conselho dos ímpios”. Lamentável! Não caia nesse erro de achar que seu filho adolescente ou jovem não precisa mais de sua instrução (especialmente, a instrução na Palavra de Deus!). Se os seus filhos ainda estão sob sua tutela, se ainda estão “comendo do seu feijão”, então não seja relapso e irresponsável. Eles ainda precisam de ensino e direcionamento.

Outro termo importante aqui é “caminho”. Este termo tem vários significados nas Escrituras, sendo que um deles é “direção” que é o que aparece neste texto de Pv. 22.6. O Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento (Editora Cultura Cristã), traz o seguinte comentário sobre este verbete (vol.1, p.965, 2011):

“Não é surpresa que os textos sapienciais associem o caminho da retidão (…) com a sabedoria. O servo de Javé que procura andar no caminho da retidão deve depender da sabedoria de Javé, se quiser ser bem-sucedido (Pv 4.11). Outra forma de se afirmar essa verdade é usando-se o sinônimo de sabedoria(…), qual seja, o entendimento (…). O sábio afirma que a única maneira de viver é andar no caminho do entendimento (9.6). Quem não fizer isso achará entre os mortos o seu lugar de descanso (21.16).
Aqueles que se acham nas veredas dos justos são descritos como “homens de bem” (Pv 2.20), epíteto sugestivo da sua condição como membros da comunidade da aliança. Ou seja, há um vínculo direto entre a maneira como o crente professa a fé e a maneira como ele a vive. Somente os “santos” (…) de Javé têm o caminho guardado do dano e da interdição (Pv 2.8). São eles, e apenas eles, cuja peregrinação leva finalmente ao caminho eterno (Sl 139.24)”.

Assim sendo, qual a direção que devemos dar para os nossos filhos? A resposta é óbvia: Deus tal como Ele se revela em Sua Palavra a nós. Se dermos a eles todos os recursos de que necessitam para a sua formação, mas, não lhes direcionarmos para Deus, para terem Nele todo o prazer de seus corações, e fazerem Dele o único que importa ser agradado e obedecido, então fracassamos em nosso papel de pais.

O que passo a dizer com certeza trará dificuldades de aceitação, mas, é necessário que seja dito. Não concordo com a interpretação que é comumente oferecida a este versículo de que o mesmo se trata de uma “possibilidade” e não de uma “promessa”. Este texto tem de ser visto dentro do conceito de “comunidade teocrática” e do “Aliancismo”. Assim sendo, para a comunidade teocrática, se um filho se comportasse fora dos parâmetros da Lei de Deus, não só estaria desonrando a Deus, como também aos seus pais (o livro de Provérbios está cheio de advertências aos filhos para que obedecem e honrem seus pais para que os mesmos não sejam ridicularizados, Pv 6.20-21; 10.1; 15.5,20; 17.2,25;19.26; 30.17). O fracasso de um filho aponta também para o fracasso de um pai. Entendemos que cada um é responsável por suas escolhas, e infelizmente, todos num momento ou noutro fazemos escolhas erradas. Mas, enquanto nós pais não entendermos que o nosso papel como tal é determinado por Deus nas Escrituras, não direcionaremos nossos filhos para Deus, e seremos os responsáveis pelo fracasso deles sim.

Pais, não desistam de direcionar seus filhos para Deus. Não importa que sejam bebês, adolescentes ou jovens. Se ainda estão sob o seu cuidado e tutela, é seu dever direcioná-los para Deus. Os filhos que forem direcionados para Deus, nunca se desviarão Dele, e, ainda que cometam tropeços e deslises no trajeto, não errarão o alvo. Faça tudo para o seu filho acertar esse alvo, pois, se ele acertar este alvo, não errará nos outros.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos – ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.

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2 Responses to VOCÊ FARIA TUDO POR SEU FILHO?

  1. Entrei no Site Noutesia.com.br,na qual tem o Rev.Olivar Alves Pereira,que foi de uma utilidade muito grande pera o estudo a qual estava pesquisando. Hoje em nosso meio, diante das drogas licitas e ilícitas estar rondando o meio da juventude por excelência,não podemos abaixar a guarda. Mães e pais estão no desespero a procura de soluções para esse pesadelo,que acabam os tornando co dependentes de seus filhos usuários. Doenças psicossomáticas acabam tendo,é ai que a coisa pega,os chefes de família ficam sem teto,aonde correr,logo chegam a nós.O aconselhamento Noutético é sem duvidas o portal de entrada para ajudar a diagnosticar e ajudar com a Palavra de Deus. Grato

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